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Receita despenca e rombo das contas do governo aumenta — Crise sem fim

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Contas do governo têm rombo de R$ 20 bilhões no pior julho em 21 anos

A relativa estabilidade do dólar em 2017 fez o Banco Central (BC) voltar a ter lucro após ter fechado o ano passado com o primeiro prejuízo desde 2008, quando a instituição adotou o atual sistema de divulgação de resultados. Os saldos de maio e de junho também haviam sido os mais negativos em 21 anos.

De janeiro e julho, as receitas líquidas caíram 3,1%, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas as despesas totais ficaram estáveis, caindo 0,2%, também considerando o IPCA.

A equipe econômica anunciou recentemente o aumento da meta de déficit primário do governo central para R$ 159 bilhões tanto para 2017 quanto para 2018, além de uma série de medidas de redução de gastos e aumento das despesas. O déficit primário é o resultado negativo nas contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.

Por outro lado, houve um aumento no recebimento de dividendos, que totalizaram R$ 4,3 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, em comparação com R$ 1,02 bilhão no mesmo período de 2016. A meta atual para o ano que vem é de um déficit de R$ 129 bilhões.

O deficit primário do governo foi o pior da história tanto para meses de julho quanto para o acumulado do ano.

Dividentos são uma remuneração recebida pela participação acionária em empresas.

Os dados oficiais mostram que o governo também diminuiu fortemente o pagamento de investimentos feitos via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida: de R$ 22,24 bilhões, entre janeiro e julho de 2016, para R$ 12,6 bilhões no mesmo período deste ano. Segundo ela, esse efeito no déficit primário de 2017 é da ordem de R$ 27,7 bilhões. "Continua sendo uma meta ousada, apertada, mas temos condições de cumpri-la", afirmou a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi.

Isso significa que o governo quer autorização do Congresso para que o teto do rombo das contas públicas neste ano seja maior, de R$ 159 bilhões.

Os investimentos pagos pelo governo federal diminuíram no acumulado de janeiro a julho, quando somaram R$ 19,953 bilhões.

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