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Ex-procuradora: 'O que acontece na Venezuela é a morte do Direito'

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YOAN VALAT  Getty  Presidente da Colômbia garantiu que o país dará asilo à ex-procuradora venezuelana Luísa Ortega

A mesma agência noticiosa diz que as autoridades venezuelanas não fizeram qualquer comentário sobre estas alegações. Não há Justiça na Venezuela. "A estabilidade da região está em perigo", acrescentou fazendo um pedido para que os "venezuelanos não percam a esperança e o direito de mudar".

O governo colombiano não ofereceu outros detalhes da viagem de Ortega ao Brasil.

"Ato ilegal afetava de forma direta todos os habitantes daquele país, pois passaram a contar com uma instituição subjugada a um verdadeiro poder político ditatorial", disse Janot ao lado da colega. "Devo decidir isso nos próximos dias".

Em março deste ano, a ex-procuradora denunciou como ilegais duas sentenças do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) venezuelano. "Isso prejudicaria a população".

Na abertura do evento, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destacou o apoio dos ministérios públicos da região a Ortega, tratada como a "legítima procuradora-geral" da Venezuela. "Podemos presumir que a mão que acalentava essa grande máfia era a da ex-procuradora", afirmou o atual procurador-geral da República da Venezuela, Tarek William Saab, em entrevista coletiva.

Na semana passada, a ex-procuradora e seu marido fugiram da Venezuela em lancha até Aruba e dali viajaram para Bogotá, segundo a emissora americana "Univisión".

"Sem independência, o MP do nosso vizinho ao norte não tem mais condições de defender os direitos fundamentais das vítimas e acusados nem de conduzir com objetividade investigações criminais ou de atuar em juízo com isenção", acrescentou Janot.

Como represália pelas viagens de Ortega, o governo de Maduro afirmou que a "Venezuela vai solicitar à Interpol um alerta vermelho para essas pessoas envolvidas em crimes graves". "Te reconhecemos como fiscal da Venezuela", acrescentou o paraguaio.

Ortega foi destituída de seu cargo pela Assembleia Constituinte no dia 5 de agosto.

"Tenho informações de que mandaram assassinos atrás de mim", disse a ex-procuradora-geral, que acrescenta que recebeu "várias ameaças" antes de decidir abandonar a Venezuela. Uma a limitar a imunidade parlamentar e a segunda em que o STJ assumia as funções do Parlamento, no qual a oposição detém a maioria desde as eleições de janeiro de 2016.

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