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Força-tarefa da Lava Jato denuncia Aldemir Bendine

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Ex-presidente da Petrobras é acusado de exigir R$ 17 milhões em propinas da Odebrecht

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta terça-feira denúncia à Justiça contra o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine por quatro crimes relacionados ao recebimento de propina de 3 milhões de reais da Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato, e estimou pena de 25 anos de prisão para o executivo caso seja condenado. Outrora homem de confiança da ex-presidente Dilma Rousseff, Bendine está preso preventivamente desde o fim do mês passado. Bendine também é acusado de tentar embaraçar as investigações da Lava Jato. "André Gustavo compareceu na Odebrecht, em data incerta, possivelmente no dia 15 ou 16 de junho de 2015, e obteve de Eduardo Barbosa, subordinado de Fernando Reis, as senhas "Oceano", "Rio" e "Lagoa", que deveriam ser pronunciadas pelo recebedor dos valores no ato das entregas sub-reptícias dos valores, para confirmação de sua autenticidade", sustenta a denúncia. As mensagens indicam movimentações do então presidente da Petrobras em favor da empreiteira.

Bendine foi preso em ação da 42ª fase da Lava Jato, em 27 de julho.

De acordo com as investigações, Bendine inicialmente fez pedido de pagamento de propina à Odebrecht, no valor de 17 milhões de reais, na época em que estava à frente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da empreiteira, mas o pagamento não foi efetuado.

Segundo o promotor Athayde Ribeiro Costa, o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil recebeu o equivalente a mais de 950 mil dólares (807 mil euros) em subornos da construtora Odebrecht em troca de favores.

Para dissimular a origem dos valores ilícitos, segundo o MPF, Bendine adotou uma série de expedientes que incluíram tentativa de declarar parte dos valores em sua retificação do imposto de renda e a realização de reservas para sua família num hotel em Nova York, serviço pago por meio de seu operador, André Gustavo. Além dele, outras cinco pessoas também foram denunciadas pelo MPF neste caso.

"Recebimento de propina no avançar da Lava Jato, com práticas de lavagem de dinheiro em tão recente tempo, mostra que é necessário estancar a habitualidade criminosa de Aldemir Bendine, por isso a necessidade da prisão se mantém e deverá, a juízo do Ministério Público, continuar", afirmou o procurador da República.

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