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Contra Lula, procurador reabre inquérito que o próprio Ministério Público quis arquivar

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Brasil volta a investigar pagamento de seis milhões da Portugal Telecom ao PT

Tentado negociar um acordo com a Justiça para atenuar uma condenação, Marcos Valério contou, em 2012, que presenciou uma negociação ocorrida em 2005 entre o ex-presidente Lula da Silva e Miguel Horta Costa, presidente da Portugal Telecom na época em que isso acontece, e na qual eles acertaram o pagamento de um suborno para o Partido dos Trabalhadores (PT).

Consta que o publicitário mineiro Marcos Valério - que cumpre pena de quarenta anos por participar do esquema de corrução no Escândalo do Mensalão, no governo Lula - fez a denúncia em 2013.

Arquivada há dois anos, a investigação contra Lula estava engavetada porque a PF informou, em 2015, que não era possível rastrear o dinheiro envolvido no suposto pagamento de propina.

Mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela PF no inquérito, entre elas Palocci e o ex-ministro José Dirceu. Tendo por responsabilidade a revisão de procedimentos como arquivamentos de inquéritos, a Câmara de Combate à Corrupção decidiu pelo "retorno dos autos à origem, para que seja designado outro membro para continuidade das investigações", segundo portaria assinada pela procuradora-chefe. A assessoria de Lula diz, em nota, que "As acusações de Marcos Valério foram feitas em 2012 e investigadas por 3 anos". A Justiça Federal de Brasília discordou e enviou o pedido para a Câmara de Combate à Corrupção da Procuradoria-geral da República arbitrar.

Em resposta à reportagem, o advogado Cristiano Zanin disse que a decisão do Ministério Público de reabrir o inquérito é "arbitrária" e contraria manifestação de um de seus membros, que pediu o arquivamento por ausência de provas. "Não há factos novos que justifiquem a reabertura do caso", defende fonte do instituto.

Por isso, a Procuradoria da República do DF recebeu novamente a investigação e determinou sorteio de um novo procurador para ficar à frente do caso. O procurador sorteado para conduzir o caso foi Ivan Marx. Valério acusou Lula e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci de terem tratado em pessoa a transferência do dinheiro, num acordo dentro do Palácio do Planalto.

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