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Moro coloca Bendine em prisão por tempo indeterminado

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Ele está recolhido em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba base da Lava Jato

Bendine foi preso em regime temporário por cinco dias, inicialmente, por suspeita de recebimento de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. O ex-executivo cumpre prisão preventiva desde quinta-feira (27), quando foi deflagrada a Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato.

Por entender que Bendine não tinha poder para influenciar na rolagem do empréstimo, a empresa decidiu não pagar os R$ 17 milhões, mas acabou aceitando repassar, posteriormente, R$ 3 milhões para garantir seus interesses na Petrobras, disseram os procuradores que integram a força-tarefa. "Dissuadi-lo a não depor no MPF".

O motorista, Sebastião Ferreira, disse ao Ministério Público que estava recebendo "muita pressão para não declarar nada", e afirmou que Bendine chegou a convidá-lo para um encontro em seu apartamento.

"Note-se que há reservas para todo o período compreendido entre os dias 29 de julho e 18 de agosto, sendo que em 19 subsequente, pela manhã, retornaria ao Brasil via Portugal, conforme já devidamente comprovado, o que evidencia que o motivo da saída - temporária - do peticionário do país era uma viagem de férias com a família, previamente organizada", diz um trecho da petição protocolada pelos advogados de Aldemir Bendine.

O juiz da Lava Jato foi incisivo.

Na casa de Bendine foram apreendidas diversas anotações com referência a André Gustavo, incluindo até mesmo a abreviação do nome dele (AG) relacionada a Dimas Toledo, operador financeiro que se tornou conhecido no caso denominado a "lista de Furnas". Na mesma decisão Moro também determinou que os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva permaneçam presos em caráter preventivo. Ele está recolhido em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato. Foi identificada ainda uma ligação direta de Bendine para Léo Pinheiro, em 2014.

A defesa de Aldemir Bendine afirmou que a decretação da prisão preventiva é desnecessária, que ele apresentou documentos, prestou depoimentos, se colocou à disposição das autoridades e jamais tentou fugir ou obstruir a Justiça.

"Sebastião Ferreira relatou também que, por intermédio do então ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República, Gilberto Carvalho, o investigado Aldemir Bendine tentou se encontrar com o depoente para evitar o comparecimento dele ao MPF".

Segundo os procuradores, foram encontrados elementos que reforçam as suspeitas contra Bendine e os dois publicitários ligados a ele.

No despacho em que autorizou a 42a. fase da Lava-Jato, Moro diz que, numa reunião em janeiro de 2015 com Marcelo Odebrecht e Reis, Bendine "teria tratado dos efeitos econômicos da operação sobre as empresas fornecedoras da Petrobras e alegado que teria sido encarregado pela Presidência da República para tratar de assuntos de liquidez com elas".

As ligações só cessaram após a prisão de Funaro.

Os procuradores foram taxativos. Teria solicitado vantagem indevida no cargo de presidente do Banco do Brasil e teria reiterado a solicitação depois de assumir o cargo de presidente da Petrobras.

Para os procuradores, 'revelou-se também gravíssima a conduta de Aldemir Bendine em pressionar Sebastião Ferreira a rever suas declarações prestadas ao Ministério Público Federal, com o manejo de queixa-crime pela prática de calúnia para intimidação de Sebastião Ferreira'. "André Gustavo também não apresentou qualquer comprovante da efetiva prestação do suposto serviço pactuado, nem demonstrou qual a formação técnica que justificava sua contratação por cifras vultosas, pelo grupo empresarial Odebrecht".

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