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Aldemir Bendine e operador usavam aplicativo para destruir mensagens — MPF

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Detido ex-presidente da Petrobras e Banco do Brasil

Estão sendo cumpridos três mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão. Segundo a força-tarefa da operação, em alguns casos, as mensagens eram destruídas a cada 4 minutos "para evitar a utilização como prova de ilícitos praticados".

Os acusados chegam ainda nesta quinta (27) à Curitiba.

Bendine tinha uma passagem de ida para Portugal, marcada para esta sexta-feira (28). "Ministério Público teve todo cuidado de corroborar todas as provas no âmbito da delação premiada", informou a PF na coletiva. O recibo da volta é datado de 3 de julho.

André Gustavo foi preso ainda no aeroporto quando viajava para Brasília. Ele viajaria para Brasília.

Aldemir Bendine e André Gustavo foram citados nas delações da Odebrecht. "O produto do crime até o momento não foi recuperado", afirmou Athayde Ribeiro Costa ao justificar os pedidos de prisão. Eles foram presos no Recife. Com prazo de cinco dias, a prisão temporária pode ser convertida para a prisão preventiva, quando o investigado passa a não ter prazo para deixar a prisão.

Posteriormente, na tarde de quinta-feira, o advogado de Aldemir Bendine, que foi presidente do Banco do Brasil durante quase seis anos no governo de Dilma Rousseff. veio reveler que o arguido tinha também comprado uma viagem de regress ao Brasil.

Segundo o MPF-PR, existem evidencias de que ele pediu propina à Odebrecht Agroindustrial.

De acordo com as investigações, Bendine já havia solicitado pagamento de suborno no valor de 17 milhões de reais à Odebrecht na época em que estava à frente do banco para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da empreiteira, mas o pagamento não foi efectuado, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

A deflagração da Operação Cobra teve por base as delações premiadas do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e do ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis. Pagamentos terão sido interrompidos com a prisão de Marcelo Odebrecht, de acordo com um comunicado da Polícia Federal.

Benedine e pessoas ligadas a ele teriam pedido vantagens relacionadas a seus cargos para que o Grupo Odebrecht não viesse a ser prejudicado em futuras contratações da Petrobras. Para pegar os pacotes ele teve de usar três senhas diferentes, uma para casa ocasião (Oceano, Rio e Lagoa).

Moro determinou o bloqueio de até R$ 3 milhões de contas e aplicações de Aldemir Bendine, André Vieira e do irmão dele, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior.

Durante as investigações, a PF flagrou a tentativa de Bendine de recolher impostos em 2017 (e portanto após a delação), de pagamentos realizados em 2015, numa tentativa de legalizar os recursos. "Há indícios que a documentação também foi produzida com intuito de ludibriar e obstruir as investigações", afirmaram os procuradores.

O procurador declarou que no caso de Aldemir Bendine "a descoberta da viagem foi fruto da quebra telemática do suspeito" e mencionou que foi descoberto que havia só uma passagem de ida para Lisboa. A investigação aponta Bendine e a Odebrecht mantiveram o esquema criminoso mesmo durante a Lava Jato, operação que começou em março de 2014.

Na ocasião, a Lava Jato estava próxima de completar um ano.

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