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Aceitarei com a 'maior naturalidade' rejeição da denúncia contra Temer, diz Janot

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Procurador-geral da República Rodrigo Janot durante seminário em Brasília

O Ministério Público não tem pressa e nem retarda a denúncia. "Existem investigações em curso e, dessas investigações, uma está mais adiantada que outra. Convencido de que o fato é típico, convencido da materialidade do crime e definida a autoria, aí sim partiremos para a fase do processo penal".

Sem dizer nomes, mas referindo-se às delações do empresário Joesley Batista, proprietário do frigorífico JBS, Janot disse - durante a apresentação de um painel sobre a importância da delação premiada contra a corrupção - que a sua primeira reação foi de pensar que "era mentira e que aquilo não podia estar acontecendo". "Nós achávamos que, depois de três anos e meio da Lava-Jato, seria inacreditável que a prática continuaria aberta".

Janot enfatizou que as gravações de Joesley "comprovavam ali o cometimento de crimes desses altos dignatários da República". "Foi a primeira colaboração para cessar a prática de crimes em curso, e não apenas para investigar crimes ocorridos no passado". "E delitos graves", afirmou o procurador. "Ninguém se sente feliz concedendo imunidade a criminosos, mas foi possível sopesando o interesse público da sociedade brasileira".

Após a aprovação de Raquel Dodge na semana passada para o cargo de procuradora-geral da República, Temer pediu a auxiliares que criem um discurso para ser reproduzido pelos deputados de que Janot persegue o governo – reforçando assim as críticas de que o próprio presidente vem fazendo em público.

O procurador-geral também defendeu a imunidade concedida a Joesley Batista como "necessária" para que o acordo fosse feito e disse acreditar que a mesma garantia dada pelo Ministério Público Federal teria sido concedida nos Estados Unidos, caso houvesse uma investigação semelhante. "Dos acordos de colaboração premiada realizados na Lava Jato, 85% foram feitos com os investigados livres", explicou o chefe do MPF.

Na palestra, o atual procurador-geral disse ver com a "maior naturalidade possível" uma eventual decisão da Câmara dos Deputados de não autorizar o julgamento pelo STF da denúncia contra Temer por corrupção passiva.

"Cada um faz o seu trabalho. Não vou insistir nisso".

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou na última semana parecer contra a continuidade da denúncia envolvendo Temer. Janot disse que a decisão de denunciar Temer por corrupção passiva foi tomada com base na maturidade das provas. A votação da denúncia no plenário da Câmara está prevista para o dia 2 de agosto. "Se a Câmara não autoriza, essa denúncia fica suspensa aguardando o fim do exercício da presidência da República para dar sequência".

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