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Governo guineense responsabiliza Portugal pela cessação das emissões da RTP e RDP

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Governo da Guiné-Bissau suspende actividades da RTP RDP e Lusa no país

Vítor Pereira acusa as empresas públicas portugueses de não cumprirem o que foi acordado pelo Memorando de 2003.

Questionado sobre se esta decisão atenta contra a liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, o responsável respondeu: "Precisamente, é o que se está a constatar".

Vítor Pereira disse que as atividades ficarão suspensas até que o governo português inicie as negociações para a assinatura de um novo contrato.

O ministro da Comunicação Social guineense, Victor Pereira, anunciou, esta sexta-feira (30.06), a suspensão das atividades da RTP, da RDP e da Agência Lusa na Guiné-Bissau, alegando a caducidade do acordo de cooperação no setor da comunicação social assinado entre Lisboa e Bissau, em 1997, relativo à instalação de uma delegação da Rádio e Televisão Pública de Portugal (RTP) no país.

Em nota enviada às redações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português considera que "este tipo de ultimatos é inaceitável, especialmente quando se trata de dois países ligados por laços tão estreitos, como Portugal e a Guiné-Bissau". A presidente do sindicato, Sofia Branco, sublinhou ainda que os jornalistas "estão a exercer o direito à informação" e que a liberdade de informação "deve estar acima de acordos políticos que as partes vão resolver entre si mais tarde ou mais cedo" e "sobre os quais os jornalistas não são tidos nem achados, como é evidente". Como consequência, a partir da meia-noite (01h00 em Lisboa), deixará de existir RTP, RDP e Lusa na Guiné-Bissau.

Jorge Gomes acrescentou que esta decisão "é uma forma de silenciar a população guineense que tem tido contacto com os conterrâneos em Portugal diariamente".

O presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento da Guiné-Bissau lamentou também a decisão: "As organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau lamentam profundamente esta triste notícia para nós", afirmou Jorge Gomes à agência Lusa, referindo que se o movimento tivesse conhecimento antecipadamente teria tomado a decisão de abordar o primeiro-ministro no sentido de "arranjar uma outra solução".

"Imensas pessoas da Guiné-Bissau a viver aqui querem saber o que se passa no seu país e sabem-no através da Lusa e da RTP, quer versão rádio, quer televisão", continuou a responsável. Afirmando que o "Governo pretende calar as vozes críticas que possam surgir nos órgãos [de comunicação social] independentes", o ativista frisa também que esta é uma medida "exclusivamente de natureza política, que não se cruza com os interesses do povo".

O representante da União Europeia em Bissau, Victor Madeira dos Santos, considerou, esta sexta-feira, "uma limitação da liberdade de imprensa" a decisão do Governo guineense de suspender a atividade da RTP, da RDP e da Agência Lusa.

Quem também não é a favor da decisão do governo de Guiné-Bissau é Sana Canté, ativista guineense e líder do Movimento dos Cidadãos Conscientes Informados.

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