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Governo está a apoiar plantação de eucaliptos

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Governo recusa suspender programa de rearborização de eucaliptos

A denúncia é feita pelo Bloco de Esquerda, que quer este concurso anulado.

Na semana que antecedeu o incêndio que vitimou 64 pessoas em Pedrógão Grande, o Governo abriu um concurso para o apoio à recuperação e rearborização de eucaliptos "por forma à obtenção de povoamentos mais produtivos". Nos concelhos elegíveis na primeira prioridade estão, entre outros, Castanheira de Pêra, Góis, Pampilhosa da Serra e Pedrógão Grande, quatro dos concelhos mais duramente afetados devido aos incêndios potenciados, entre outras coisas, pelos extensos eucaliptais.

No mapa que acompanha o anúncio, quase toda a área dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria, e ainda uma grande área dos distritos de Viseu, Castelo Branco, Santarém e Lisboa.

"Do nosso ponto de vista é contraditório que haja diplomas a serem analisados na Comissão de Agricultura, no processo do pacote florestal, que pretenda o controlo dos eucaliptos e, ao mesmo tempo, o Plano de Ddesenvolvimento Rural 2020, financia em exclusivo, no valor de 9 milhões de euros a plantação de eucaliptos em áreas de grande risco de incêndio florestal", disse.

"Financiar a este nível a plantação de eucaliptos é completamente desajustada da realidade e do momento em que se debate a reforma da floretas", insistiu o deputado do Bloco. "E quando se densifica o eucalipto está também a densificar-se o problema no combate aos incêndios", diz Pedro Soares.

O ministro da Agricultura não demorou a responder ao Bloco.

Questionado sobre se rejeitava a ideia de suspender o concurso lançado para os eucaliptos, Capoulas Santos salientou que o Governo "não funciona de acordo com a agenda mediática" e que "se amanhã houver um incêndio num montando de sobreiros e azinheiras não vamos suspender concursos por causa disso".

"Aquilo que nós pretendemos quanto ao eucalipto - e temos sido bastante criticados por isso - é travar a expansão da área do eucalipto, mas em menos área produzir mais matéria-prima para uma indústria que representa dois mil milhões de euros de exportações", afirmou o governante Luís Capoulas Santos, em declarações aos jornalistas em Góis, concelho fustigado pelos incêndios que deflagraram no sábado.

"O que nós queremos é ordenar a floresta portuguesa, geri-la profissionalmente, continuar a produzir madeira de pinheiro, eucalipto". O que não queremos, contrariamente ao que aconteceu no passado, liberalizar a plantação de eucaliptos, em que toda a gente podia plantar onde quisesse.

O documento apresenta ainda Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), para onde deverão ser considerados os investimentos segundo uma hierarquia de prioridade.

Para o ministro, não existe nenhuma contradição entre o concurso e o que defende o Governo, afirmando que todos os apoios à florestação "obrigam a que os promotores respeitem ordenamento, gestão de certificação florestal e faixas entre as plantações".

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