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Planalto diz que Temer processará Joesley Batista

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O presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência Social deputado Carlos Marun durante entrevista na Câmara dos Deputados

O texto aponta Joesley como o "bandido notório de maior sucesso na história brasileira".

A nota foi veiculada após a divulgação de uma entrevista de Joesley à revista "Época".

Em um dos trechos da entrevista, Joesley diz que se tornou refém de dois presos, Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos presos no âmbito da Operação Lava Jato.

O empresário afirma que o presidente não tinha "cerimônia" para pedir dinheiro e que Eduardo Cunha cobrava propina em nome de Temer. E, sim, o contrário.

Ainda que todas essas informações tenham sido divulgadas, Joesley continua em liberdade, acusando o governo Temer e seus aliados, de maneira que, a cada declaração, a estratégia de atacar outros partidos e deixar o PT como coadjuvante parece se concretizar.

Nenhum dos citados por Joesley na entrevista quis se manifestar até o momento.

O acordo recebeu críticas por conta dos benefícios concedidos ao empresário, que não cumprirá pena nem mesmo será processado.

"Ao delatar o presidente, em gravação que confesa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça", diz a nota de Temer. "É uma suspeição afrontosa o que esse senhor levanta", declarou Moreira à reportagem.

Temer anunciou que na segunda-feira serão protocoladas ações civil e penal contra Joesley.

De acordo com o Palácio do Planalto, através da emissão de uma nota dura, "as mentiras de Joesley serão comprovadas e desse modo, será buscado o devido tipo de reparação financeira por todos os danos que foram causados, não somente à Instituição Presidência da República, mas também ao país". Em 2016, o faturamento das empresas da família Batista chegou a R$ 183 bilhões. Em manifestações anteriores, Temer e o Palácio do Planalto já negaram quaisquer irregularidades na relação com Joesley Batista.

Diante da entrevista de Joesley, no entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reforçou neste sábado (17) o pedido para a Câmara analise o pedido de impeachment de Temer.

A gravação gerou um inquérito contra o chefe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) como suspeito de cometer os crimes de formação de organização criminosa, obstrução da Justiça e corrupção passiva.

"O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: 'Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES".

O empresário ainda reclama de dificuldades em tratar com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, critica o BNDES e diz ter questões a resolver no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pergunta quem pode procurar. Tinha, segundo seu próprio relato, as portas fechadas na administração federal para seus intentos. Qualquer outra pessoa não atenda'. Vale lembrar, também, que a base aliada do governo é maioria no Congresso Nacional, o que tendencia uma deveras proteção ao presidente. "Esse é o exemplo mais bem acabado da lógica dessa Orcrim (organização criminosa)", afirmou Joesley à revista.

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