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Documentos mostram como Facebook gere conteúdos sensíveis

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Facebook conta com 1,23 mil milhões de utilizadores ativos

A política de mediação do Facebook, que retira do ar publicações e comentários que possam ser considerados ofensivos ou odiosos por usuários da rede social, é considerada contraditória pelos moderadores do site.

Mas as diretrizes parecem baralhar ainda mais os moderadores, revela o jornal. O jornal teve acesso a mais de 100 manuais internos de treinamento, além de planilhas e gráficos que orientam a equipe da gigante da internet como agir em situações de violência, discurso de ódio, terrorismo, pornografia, racismo e outras questões sociais.

Os dados foram vazados por fontes internas para o jornal e não são oficiais, mas traçam um panorama sinistro do que acontece nos porões mais obscuros da rede social com mais usuários de toda a História. Independentemente da linha traçada, há áreas que serão sempre cinzentas. Durante a última F8, conferência para programadores do Facebook, o CEO Mark Zuckerberg disse que ainda ainda há muito trabalho para fazer e que a empresa está empenhada em fazê-lo.

Além disso, as normas da empresa sobre como lidar com os conteúdos mostram algumas incongruências. Muitos moderadores, que são as pessoas que decidem o que pode ser postado ou não, dizem estar sobrecarregados com o volume de trabalho. Muitas vezes, têm "apenas 10 segundos" para tomar uma decisão. As que dizem respeito a conteúdo sexual, por exemplo, são tidas como complexas e confusas.

Por outro lado, algo como "Para quebrar o pescoço de uma vadia, certifique-se de aplicar toda a pressão no meio da garganta", "Foda-se, morra" ou "Espero que alguém te mate" não precisaria ser deletado.

Estimativas feitas pelos moderadores da rede social mostram que os relatórios de potenciais automutilações no site estão aumentando. Isso porque não são consideradas ameaças críveis, são genéricas, no entendimento da empresa.

Vídeos de mortes violentas, apesar de serem catalogados de "perturbadores", nem sempre são apagados porque podem servir para chamar à atenção para problemas como as doenças mentais, argumenta o Facebook nos memorandos agora revelados.

Fotos de abuso de animais podem ser compartilhadas, mesmo com imagens extremamente perturbadoras, desde que marcadas dessa maneira, para avisar quem assiste.

- Toda a arte feita à mão que mostre nudez e actividade sexual é permitida, mas arte feita digitalmente, que mostre actividade sexual, não.

Desde que não haja nudez.

Monika Bickert, responsável pela gestão de políticas globais do Facebook, reconhece que "é difícil chegar a um consenso" sobre o que permitir na rede social, que conta já com dois mil milhões de utilizadores.

Qualquer pessoa com mais de 100 mil seguidores na rede social é classificada como uma figura pública.

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