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Saúde

Sem antibióticos para travar superbactérias

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OMS já havia divulgado uma lista com outras doenças que se tornaram resistentes a antibióticos além da tuberculose

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou esta segunda-feira o mundo a criar novos medicamentos para combater 12 superbactérias que resistem aos antibióticos e que ameaçam levar a uma explosão de doenças incuráveis.

Os chamados "patógenos prioritários" provocam infecções no sangue, nos pulmões, no cérebro e no trato urinário que podem ser fatais.

"Esta lista é uma nova ferramenta para garantir que a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) responda às necessidades urgentes de saúde pública", explica a subdiretora-geral da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação, Marie-Paule Kieny.

Segundo o organismo internacional, microrganismos resistentes a múltiplos antibióticos são particularmente perigosos em hospitais, casas de repouso e entre os pacientes cujos cuidados exigem dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos. "Se deixarmos as forças do mercado sozinhas, os novos antibióticos de que precisamos mais urgentemente não serão desenvolvidos a tempo", acrescenta.

"No caso das infecções causadas por salmonela multirresistente, há uma tendência em que a infecção seja mais grave e que o tratamento com antibiótico específico seja necessário", salientou Carmem da Silva.

No último grupo estão bactérias resistentes às penicilinas e ampicilinas como são o Streptococcus pneumoniae e os Haemophilus influenzae.

Quando os antibióticos mais comuns não funcionam, se recorre a outros tratamentos mais caros e longos, que com frequência requerem hospitalização.

Este é um grupo de perigo real pois causam infecções pulmonares graves (pneumonia e tuberculose humana) e septicemia (infecção generalizada).

Em janeiro, uma mulher americana morreu devido a uma infecção resistente aos 27 antibióticos disponíveis, causada pela Enterobacteriaceae, incluída na lista da OMS. O apelo da OMS acontece na mesma semana em que especialistas em saúde dos países do G20 se reúnem em Berlim, capital da Alemanha, para debater vários assuntos, inclusive a resistência anti-microbiana.

Os germes da lista da OMS, que é dividida em três categorias e que inclui entre as bactérias mais preocupantes a "salmonella" e a "Staphylococcus aureus", foram escolhidos com base na gravidade das infeções que causam, na facilidade com que se propagam, no número de fármacos em uso e nos novos antibióticos que estão a ser estudados.

O objetivo também é orientar novas iniciativas de P&D, como a Aliança mundial de P&D para antibióticos da OMS e da Iniciativa para Remédios para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigle em inglês), que está comprometida com o desenvolvimento sem fins lucrativos de novos antibióticos.

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